Cada vez mais existe a preocupação e conscientização da população em relação ao cuidado do planeta. Estima-se que a urbanização deve aumentar e impulsionar o crescimento a quantidade de pessoas que vivem nas cidades. Os centros urbanos podem reunir mais de 6,3 bilhões de pessoas. Com estes números é possível trazer problemas com calor e a poluição.

Uma alternativa simples, mas que gera mudanças é o plantio das árvores. Conforme o relatório “Plantando ar saudável”, publicado em outubro de 2016, os centros urbanos sofrem com as condições climáticas o que consequentemente reflete na saúde pública das cidades, mas com as árvores é possível diminuir a poluição e até mesmo a temperatura destes locais.

Pensando nisso, trazemos no artigo um pouco sobre este projeto, além de citar a estratégia de Cidades Saudáveis, proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com a ideia de garantir ambiente físico limpo e seguro, ecossistema estável e sustentável, entre outras ações de ação urbana. Acompanhe a seguir.

Entenda como a sujeira e o calor é prejudicial à saúde

Através do trabalho da ONG ambientalista The Natural Conservancy e pelo C40 Cities Climate Leadership Group foi possível entender como as árvores urbanas podem ajudar na poluição e alta das temperaturas.

Atualmente a instituição conta com apoio de mais de 80 cidades e segue com objetivo de promover a mudança e a queda da emissão de gases estufa. Contudo, o seu foco não é nos poluentes (como ozônio e CO2), mas no material particulado. Estes são partículas minúsculas, sólidas e líquidas que são transportadas por indústrias e veículos.

Com esta grande concentração de materiais, contribui para os problemas de saúde pública. Ou seja, estas partículas ao entrarem na corrente sanguínea causam doenças respiratórias, como a asma e também estão ligadas a problemas de circulação como os derrames cerebrais, assim, o material particulado pode causar 3, 2 milhões de mortes por ano.

Lembrando que as ondas de calor já matam anualmente 12 mil pessoas no mundo, devido ao alto volume do concreto e asfalto as cidades, portanto acabam retendo o calor e afetam a saúde das pessoas. Ainda estes números devem agravar com o adensamento urbano junto do aquecimento global.

Apesar das árvores não resolverem a poluição e as altas temperaturas de forma global, é um começo que pode contribuir localmente, além de servir como paisagem e morada para os pássaros e seres vivos.

Detalhes do estudo

Para compreender o potencial da vegetação urbana, a Nature Conservancy coletou informações através de satélites na cobertura florestal e vegetal em mais de 245 cidades. No Brasil, os locais foram São Paulo, Fortaleza, Brasília, Rio de Janeiro e Campinas.

Com o foco nas árvores perto das vias, conforme o projeto indica que aproximação das pessoas e plantas é fundamental para diminuição da temperatura e material particulado. Além disso, a pesquisa colheu informações sobre a concentração do material particulado e a densidade populacional dos locais.

Quais os resultados da pesquisa

Um ar mais limpo

Conforme estudo, através da plantação das árvores foi possível diminuir a densidade do material particulado. Isto é possível, pois estes tipos acabam sendo depositados nas superfícies das plantas.

Ainda com as informações da pesquisa com um investimento global de US$ 100 milhões investidos em plantio e manutenção é possível impactar positivamente os usuários que vivem nos centros urbanos. Logo os benefícios vão além da preservação de vidas e proporcionam outras vantagens, como a diminuição nas faltas na escola e trabalho, assim como as hospitalizações.

Temperatura mais amena

O estudo informa que as árvores urbanas podem diminuir a alta temperatura no verão entre 0,5 °C a 2 °C para 68,3 milhões de pessoas. Com a inclusão da vegetação é possível que o calor diminuísse até 300 metros de onde as plantas e árvores estão localizadas. De qualquer forma, este impacto pode ser alterado conforme a densidade populacional.

No geral, quanto maior a proximidade da população com as plantas ocorre mais benefícios e os gastos podem ser menores. Em conclusão do estudo, indica que as árvores precisam estar plantadas em locais com alta circulação das pessoas.

Projeto de Cidades sustentáveis e saudáveis

Devido aos problemas urbanos, através dos projetos sociais, e com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e suas agências como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), propuseram a estratégia de Cidades Saudáveis (Westphalen, 2000).

Conforme a OPAS um município saudável é que as autoridades políticas e civis, as instituições e organizações públicas e privadas, os proprietários, empresários, trabalhadores e a sociedade dedicam constantes esforços para melhorar as condições de vida, trabalho e cultura da população; estabelecem uma relação harmoniosa com o meio ambiente físico e natural e expandem os recursos comunitários para melhorar a convivência, desenvolver a solidariedade, a cogestão e a democracia (OPAS, 1996).

Para a OMS (1995) a cidade pode tornar-se saudável desde que se esforce e proporcione:

A primeira iniciativa de cidades saudáveis foi feito no Escritório europeu da OMS, que assumiram a ideia do projeto “Cidades Saudáveis” com objetivo de promover a saúde e seguiu nos países europeus, em 1985. Logo, o projeto iniciou no Canadá (Toronto), assim esta iniciativa semelhante começou em 1987 e englobou 14 cidades.

Atualmente o projeto segue como movimento global e tem como base Saúde para Todos no Século XXI da OMS.  Com o projeto “Cidades Saudáveis” a ideia é que “no contexto da vida diária das pessoas facilitando a ação conjunta entre as autoridades locais, sociedade civil, e outros atores-chave para melhorar as condições e a qualidade de vida do e no lugar onde as pessoas vivem, trabalham, estudam e se divertem, e promover o desenvolvimento de sistemas e estruturas sustentáveis” (Opas/OMS, 2002).

Ainda esse projeto, segundo Mendes (1996), é “estruturante do campo da saúde”, em que os atores sociais (governo, organizações da sociedade civil e organizações não governamentais) procuram, por meio da “gestão social”, transformar a cidade em um espaço de “produção social da saúde”.

Assim, este movimento tem como foco a mobilização e democratização, ou seja, através de mudanças e com a gestão, é possível proporcionar ações que façam a cidade um espaço de produção social de saúde e qualidade de vida para a população.

Apesar de todas estas medidas precisarem de intervenções longas, complexas, além de infraestrutura, vale lembrar que um ambiente urbano ou outras ações integradas podem também ser transformados com um custo baixo, ou zero, apenas com medidas de conscientização e mudança de comportamento.  Contudo, ao conferir estes projetos descritos no texto, vale refletir como isto pode ser aplicado nos dias atuais e questionar se realmente existe uma conscientização por parte de todos. Então fica a pergunta, qual sua contribuição para gerar impactos positivos no meio ambiente e qualidade de vida?

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